sábado, 29 de maio de 2010

Estudar História é importante?

por Maris Stella Schiavo Novaes**


Este espaço é reservado aos professores e pesquisadores interessados em contar suas experiências, alegrias e desventuras, broncas e agravos, as esperanças e desilusões, enfim, fica o convite para participar conosco registrando suas memórias e narrativas. O tema é livre e em sendo devidamente identificado, o relato vai ser postado na íntegra e sem censura! Também está disponível para publicação de imagem que atenderão aos mesmos critérios. 


E aí, quer participar? Mande seu material para nosso imeo carreirodetropa@gmail.com
e depois, venha conferir!

Um perguntinha para a gente começar a pensar:

Estudar história é importante?
Como motivar nos motivar e por consequencia aos alunos a se interessarem pelo estudo da História? Em que sentido se torna importante estudar esta disciplina? O caminho viável parece ser o do resgate do encantamento, mas, como alcançá-lo?. Se nós professores não nos sentimos importantes dentro do espaço de construção coletivo de nossa formação, como o aluno vai perceber sua "reles" importância na história da humanidade? Há muito tempo que a História deixou de ser somente a narrativa de feitos dos "grandes" homens, e incluiu em seu arcabouço todos os homens e mulheres e crianças...

Todavia, com, a sucessão rotineira da vida, este questionamento parece coisa tão sem propósito...


Lido com História por formação e por gosto, espécie de atavismo familiar. Amo meu oficio de historiadora. Me formei em licenciatura. Epa! Guarde seu precipitado julgamento, não foi opção esta titulação no diploma . É o o que a universidade pública na qual me formei disponibiliza aqui: Formação de professor. Malgrado o esforço de alguns professores e alunos em melhorar a qualificação de formação, no quadro geral o que sobra mesmo é ampliação de mão de obra barata para compor os quadros das secretarias municipais e estaduais, ou possibilitar a expansão de bonificações no emprego público.


O contingente de formados pressionam o mercado que obviamente não tem lugar para todos. Pela falta de opções de trabalho em Vitória da Conquista, a maioria se submete a exaustivos concursos e se sujeita a ir tentar trabalhar outras urbes. Não raro, "brigar" por vagas em secretarias de ensino chefiadas por apadrinhados políticos, por consequêcia: incapazes para a função, mas, cheios de "otoridade". Não importa que sejam "Secretáros de Inducação" que mal saibam escrever um o com um copo, de uma cidadezinha laaaaaaaaaaaaaaaaaa na casa do caixa-prego, encostada em um pé de serra que de tão longe nem a Coluna Prestes passou por lá... Não importa! O "Secratáro" é quem manda... E de amigo ainda avisa: -"E nad de falá em pulitica na sal de aul não heimmmm??, Vai qui chega nos ouvido do prefeito?? Cê vai imbora na mesm hor"

Para muitos colegas que conheço, é ouvir isso, engolir em seco e se encaminhar para a sala de aula para honrar o seu sagrado salário...

Com certeza não é tarefa fácil encontrar empenho para trabalhar em condições tão adversas. Entretanto, insisto no argumento de que todo ser humano escreve uma história no mundo que vale a pena ser conhecida. Mesmo que esta história seja "lida" apenas para o pequeno grupo onde ele está inserido... Com a internet, expandiu-se o espaço de leituras e cá estamos nós dois escrevendo a nossa história nesse momento. Ao estar lendo esta publicação, você procurando entender como eu penso, estabelecemos nossa conexão, com isso, estamos aqui escrevendo nossa história em comum. A forma como você interagir e processar as minhas informações vai lhe propiciar "escrever" a Sua história.

O fazer cotidiano ensina muito. Fico pensando em como seria bom que as pessoas recuperassem em si o gosto pela história como nos tempos infantis em que só se ia para cama satisfeito quando alguém de bom coração nos contasse uma história... Inventada, verdadeira, de medo, de riqueza, de alegrias ou de tristeza, enfim, não importava, os olhinhos infantis quase sempre cediam ao sono enquanto o ouvido tentava perceber os sons das últimas palavras e a imaginação cumpria seu encanto... Caso contrário, a gente ia prá cama bem chateado mesmo!

Daí, a gente cresce um pouquinho e vai para a escola. Lá se vai aos poucos desgostando de ouvir histórias alheias. Afinal, é a própria história que está sendo construída... Parece tão sem propósito que algo acontecido a anos, séculos, milênios atrás, sejam de fato importante pra nossa vida... Os currículos de formação engessam os professores, desencantam os alunos. Os professores desmotivados e muitos despreparados mesmo quase sempre se atrapalham diante de alunos indagadores e participativos (principalmente se forem insistentes demais) e geralmente respondem de modo vago aos questionamentos quando não os expulsam da sala...Afinal, ali, a autoridade é ele... Aí, sobra a chateação para todo mundo de novo!

Com o tempo outros interesses nos chamam a atenção; nessa conjuntura, para professores e alunos e história vira uma disciplina chata, desinteressante imprenssada na grade curricular. Enfim, dizem que a gente cresce e deixa de gostar de histórias. Não é verdade!

A gente muda nossa forma de relacionar com ela... Mas não a abandona. Hoje se percebe o quanto ela é fundamental enquanto instrumento de compreensão dos sentidos, vendo uma partida de futebol na TV, acompanhando a vida daquela celebridade... Quais as roupas, cabelos, acessórios e talz... Eram moda em mil novecentos... Mesmo nesse imenso caldo que é o mundo virtual nada se produz sem história. É através desse fio condutor que se organizam as informações, que se estabelecem as conexões e se ligam os pontos entre si. Assim cada pessoa é parte da história do outro sucessivamente.


Tá vendo aí, como história é importante? Como você é importante na condução do fio da história de todo mundo?

Você ainda duvida, então diga aí, o que você está fazendo com sua vida nesse exato momento?



**Maris Stella Schiavo Novaes é Presidente da Ong Carreiro de Tropa - Catrop, Coordenadora do Núcleo de História, Cultura e Memória da Catrop; Licenciada em História pela Uesb de Vitória da Conquista Bahia; Com pós-graduação em Educação, Cultura e Memória, pelo Museu Pedagógico/Uesb. 

4 comentários:

  1. No meu discurso de colação de grau comecei justamente com a seguinte indagação: Por que História?
    Quando entrei para o curso fui piamente questionada de minha decisão. Primeiro porque história aqui é licenciatura e, ser professor de história? Segundo nunca ganharia dinheiro com história. História porque não passaria para Direito e blá, blá,bla...
    Por esse motivo, tentei mostrar no discurso porque a minha e a escolha de meus 10 colegas foi cursar durante os quatros anos a FACULDADE DE LICENCIATURA EM HISTÓRIA!!!! Argumentei que ao pensarmos no nosso tempo de vida, ou no tempo de vida de nossos pais celebramos um marco cronológico e necessitamos da história para isso, mesmo quando não sabemos o porquê, estamos trabalhando a história.
    e por isso volto a insistir..
    por que história?
    Somos convocados a desvendar as páginas do passado para entendermos o presente e pensarmos o futuro de forma que possamos compreender a liberdade do homem. Somos livres para nossas escolhas, para nosso mundo, mas o que há para além de nossos “meros” mundos? o conhecimento esse sim, ninguém nos tira, ou usurpa. O conhecimento é nosso! podemos é claro, partilhar e a história é uma partilha de acontecimentos que compõe o que somos hoje. Quem não gosta de história, não gosta de conhecer, não sente a leve mão do conhecimento beber da mesma taça de uma agradável bebida. Quem não gosta de história, eu digo, não gosta de ser livre.
    Por isso amiga historiadora afirmo e respondo porque história:
    História porque queros conhecer o homem acabo conhecendo a mim.
    História porque quero conhecer a essência de nossas vidas...
    História porque ela é. E o que ela anda pode ser. Mais que isso, é o que aconteceu com o que pode vir a acontecer.
    Não sou daquelas pessoas que apenas ler sobre o que se passou....
    Mas analiso, interpreto e incorporo a parte que me inebria, que me faz sentir a vida. Assim sendo, história porque não havia mais nada que eu pudesse fazer.... Porque não seria eu!

    Renata Ferreira de Oliveira

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  2. Maris, muito bom esse seu post! Concordo plenamente! Ah, se os professores nos "contassem História"... hoje alguns deles nos fazem "dormir", de fato. (risos).

    Parabéns =*

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  3. Por tudo que é mais sagrado nessa vida e na próxima, digam-me que é importante, sim. Senão, entrarei em crise existencial!!! rs

    Brincadeira. Para dizer por que para mim é fundamental estudar história, darei um exemplo que todos puderam testemunhar nas últimas eleições.
    Creio que todos puderam ver - já que midia alguma fez questão de omitir (seja por conivência, seja por obrigatoriedade eleitoral) -, o que a torpe campanha de José Serra fez em relação ao passado de Dilma.
    Bem, se a nação brasileira tivesse estudado minimamente história entenderia o que foi a Ditadura, o que ela representou, o que ela fez... Não precisaríamos ficar desmetindo, demistificando e explicando as bobagens que a campanha divulgou. Ficaríamos TODOS revoltados com a Folha por ter chamado, nas palavras de Ali Kamel, a ditadura de "ditaBRANDA"!
    E exigiríamos da Folha que, ao invés de tentar abrir apenas a ficha da Dilma, que abrisse a de todos, inclusive dos militares, para que alguma justiça fosse feita.
    E se trata de nosso passado recente!

    Enfim, já estou ficando bravo, então, pararei por aqui... rssss

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  4. A História é importante para entendermos as tradições, hábitos e costumes de uma civilização. Além disso, ela nos possibilita compreender a realidade que nos cerca desenvolvendo nosso espírito crítico para que possamos interpretar essa mesma realidade.
    Ontem mesmo eu estava estudando o Século XIX para ter embasamento histórico do desenvolvimento do Espiritismo no mundo. A qualquer tempo, vamos recorrer à História para ter embasamento da nossa realidade ou de um movimento ou de um momento de nosso interesse.

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